40 Razões Pelas
quais os animais são necessários na investigação biomédica
Porque é que os animais são necessários
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Quase todos os laureados com o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina desde 1901 foram reconhecidos por investigação que envolveu dados recolhidos em animais. Por exemplo, o Nobel de 2024 foi atribuído aos investigadores que utilizaram a lombriga C. elegans para descobrir o microRNA e o seu papel crucial na regulação dos genes, enquanto o Nobel de 2023 foi atribuído pelo desenvolvimento de vacinas de mRNA para a Covid-19, utilizando animais como ratos e macacos.
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Os animais e os seres humanos apresentam bastantes semelhanças, nomeadamente ao nível dos seus órgãos, sistemas de órgãos, estrutura corporal e processos biológicos. Consulte os diferentes artigos na página da EARA para saber porque é que os diferentes animais são necessários para a investigação.
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Partilhamos 95% dos nossos genes com um murganho (vulgo ratinho), o que permite replicar fielmente o corpo humano e as doenças humanas. Leia o nosso artigo Murganhos e a experimentação animal.
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Embora os métodos não animais desempenhem um papel importante na investigação biomédica, atualmente não são capazes de substituir todas as experiências em que é necessário o recurso a animais. Para mais informações, consulte o artigo da EARA Quando serão os animais substituídos na investigação biomédica?
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Os animais sofrem de doenças semelhantes às dos seres humanos, incluindo cancros (como os murganhos e os peixes-zebra), Covid-19 (macacos, hamsters), tuberculose (vacas, porcos), gripe (galinhas, furões) e asma (gatos, cães).
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A edição genética através da técnica CRISPR-Cas9 foi inicialmente aperfeiçoada em animais, conduzindo a descobertas pioneiras para o tratamento de várias doenças. Em pouco mais de uma década, esta técnica transformou a investigação biomédica fundamental e aplicada. A edição genética é utilizada rotineiramente para alterar geneticamente animais (mais frequentemente em murganhos) de modo a que estes imitem ou espelhem melhor uma doença humana, quando esta não ocorre naturalmente nos animais. Esta “humanização” permite que doenças relevantes sejam investigadas em detalhe de uma forma que não é simplesmente exequível num ser humano. Leia o artigo da EARA Como os estudos em animais desempenham o seu papel nos progressos alcançados na investigação biomédica.
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Toda a investigação e medicina veterinária depende da experimentação animal, desde o desenvolvimento de vacinas contra a doença de Marek (uma doença viral altamente contagiosa que afecta as aves de capoeira), a antidepressivos para tratar animais de companhia, a tratamentos contra o cancro para cães, que são naturalmente afectados por muitos dos mesmos cancros que os humanos. Leia o artigo da EARA Os benefícios da investigação animal para os animais.
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Muitos medicamentos desenvolvidos para os seres humanos, que resultaram de estudos em animais na fase de desenvolvimento e na fase regulamentar, também são utilizados para tratar animais. Exemplos disso são os antibióticos, analgésicos e tranquilizantes. Leia o artigo do EARA Os benefícios da investigação animal para os animais.
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A maioria das técnicas médicas rotineiras, incluindo a tomografia computorizada e a ressonância magnética, técnicas cirúrgicas como a cirurgia de substituição da anca e os transplantes de coração e de rins, bem como as transfusões de sangue, foram todas desenvolvidas com recurso a animais. A investigação em animais está ainda a contribuir para melhorar estas técnicas.
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Os porcos e os macacos são animais importantes para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da xenotransplantação de órgãos (transplantação de uma espécie para outra - neste caso, de animais para seres humanos). Graças a avanços recentes, como o primeiro transplante de rim de porco para um ser humano vivo, ou o caso de um macaco que sobreviveu durante dois anos com um rim de porco, estamos mais perto de encontrar uma solução para a crítica escassez de órgãos para transplante em todo o mundo. Ver o artigo da EARA sobre o Papel dos suínos na investigação biomédica.
Porque é que a investigação médica tem de recorrer a animais
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A Herceptina - uma proteína humanizada de murganho - contribuiu para aumentar a taxa de sobrevivência de pessoas com cancro da mama, que não poderia ter sido alcançado sem a experimentação animal em murganhos. A mortalidade por este tipo de cancro, quando corrigida em função das diferenças de idade, baixou quase para metade desde a década de 1980 até 2020 graças à utilização da Herceptina. Porque são utilizados animais na investigação do cancro?
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Estudos realizados ao longo de décadas sobre o coronavírus em murganhos permitiram que os cientistas estivessem preparados para desenvolver uma vacina para combater a Covid-19 durante o primeiro ano da pandemia. Leia o artigo da EARA O papel dos estudos em animais na investigação sobre a Covid-19.
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Os macacos desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19, uma vez que os seus sistemas imunitários se aproximam muito do sistema imunitário humano e por isso podem contrair a doença naturalmente. Os primeiros testes efectuados em macacos mostraram que estas vacinas eram seguras e eficazes antes de poderem ser administradas a pessoas. Leia mais aqui.
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A estimulação cerebral profunda é a principal terapia cirúrgica utilizada para tratar a doença de Parkinson ( também usada para outras doenças neurológicas, como a esclerose múltipla), e foi pioneira através de estudos essenciais em macacos. Esta tecnologia controla com eficácia tremores, convulsões e outras afecções por meio da aplicação de correntes eléctricas no cérebro. Consulte o artigo da EARA Macacos e a experimentação em animais.
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Os implantes na medula espinal têm sido investigados em ratos e macacos com o objetivo de solucionar a paralisia e outros problemas de movimento e coordenação que podem surgir devido a lesões na medula espinhal, o que fez com que pessoas que ficaram paralisadas devido a acidentes voltassem a andar e a ficar de pé. Leia mais aqui.
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Devido à investigação biomédica em animais, que levou ao desenvolvimento da Terapêutica Anti-Retroviral de Alta Eficácia (TARv), as pessoas que vivem com VIH têm um risco significativamente menor de desenvolver SIDA, uma vez que a TARv impede a replicação do vírus, tornando-o indetétavel. Este avanço fez com que a infeção pelo VIH deixasse de ser uma sentença de morte, passando a ser uma condição controlável, um contrate com a realidade de há 40 anos. Mais recentemente, foram também alcançados progressos promissores no desenvolvimento de vacinas contra o VIH. Leia mais aqui.
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A investigação em animais é responsável pelo desenvolvimento de inaladores para a asma. Cerca de 30 milhões de pessoas na Europa são afectadas por esta condição e cerca de 15.000 pessoas com asma morrem todos os anos. Os estudos em animais também abriram caminho para avanços nos medicamentos para a asma, responsáveis pelo primeiro novo tratamento para a doença em 50 anos. Leia mais aqui.
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A investigação em animais ajudou a desenvolver vacinas modernas, incluindo as vacinas contra a poliomielite, a tuberculose, a meningite e o papilomavírus humano (HPV), que tem sido associado ao cancro do colo do útero. Leia o artigo da EARA Porque é que os animais são utilizados na investigação de doenças infecciosas?
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Foi apenas graças a estudos realizados em macacos que as vacinas para o primeiro grande surto de Ébola em 2015, que causou milhares de mortes na África Ocidental, foram rapidamente colocadas à disposição para utilização em seres humanos, a fim de controlar a doença (foi também possível controlar um surto subsequente em 2018). Esta celeridade foi também ajudada pelo facto de as primeiras vacinas experimentais contra o Ébola terem sido desenvolvidas muito antes, em 2003, como parte de uma investigação fundamental para entender o comportamento do vírus. Leia mais aqui.
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Muitos dos tratamentos para a malária - a causa de morte de mais de meio milhão de crianças por ano no mundo - existem devido à investigação em animais. Por exemplo, em 2021, foi aprovada pela Organização Mundial de Saúde a primeira vacina contra a malária, desenvolvida a partir de estudos em murganhos e macacos, capaz de proporcionar proteção contra a doença. Leia mais aqui.
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Os animais continuam a ser necessários para o desenvolvimento de novas formas de estudar doenças e compreender o corpo humano; os cientistas realizam experiências com animais em paralelo e de forma complementar aos métodos não animais. Os métodos in vitro, como as culturas de células, os organoides e os órgãos em chips, bem como a computação, nomeadamente a IA, desempenham um papel importante para complementar dados da investigação realizada em animais. Consulte o artigo da EARA Quando é que os animais serão substituídos na investigação biomédica?
Porque é que a regulamentação rigorosa protege os animais
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As normas de bem-estar para animais de laboratório (como os animais devem ser devidamente cuidados) na Europa estão também definidas na Diretiva 2010/63/UE. Existem normas semelhantes para garantir a regulamentação e o bem-estar adequados dos animais de investigação em muitas outras partes do mundo, como os EUA, a Austrália e a Coreia do Sul.
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Os testes em animais para cosméticos são proibidos na Europa desde 2004, tendo a UE proibido a venda de quaisquer cosméticos ou ingredientes cosméticos que tenham sido testados em animais desde março de 2013. Leia no website da EARA mais informação sobre a proibição do uso de animais em testes cosméticos.
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A investigação em grandes símios (orangotangos, gorilas e chimpanzés) é proibida na UE ao abrigo da Diretiva 2010/63/UE. As únicas excepções para a sua utilização na investigação são a preservação dessas espécies ou quando uma doença potencialmente fatal ou debilitante que ponha em perigo os seres humanos não possa ser estudada em nenhuma outra espécie ou por nenhum outro método.
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Na UE, todos os investigadores, projectos e instalações que conduzam ou estejam relacionados com a experimentação animal têm de ser autorizados por organismos regulamentares nacionais. Ver a secção do EARA sobre os regulamentos da UE relativos à experimentação animal.
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Todas as propostas de projectos científicos que requerem a utilização de animais também têm de ser aprovadas pelo comité de ética de cada instituição que realiza experimentação animal. A investigação não será autorizada se os potenciais benefícios da mesma não compensarem o sofrimento que poderá ser sentido pelos animais utilizados.
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Existe um requisito legal que visa substituir os animais por alternativas, refinar as técnicas experimentais e reduzir o número de animais utilizados na investigação - definido como os 3Rs . Estas são as normas aceites para a experimentação animal e fazem parte da prática diária dos investigadores e dos técnicos de investigação em todo o mundo. Consulte a página da EARA Alternativas à experimentação animal.
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Apesar do desenvolvimento de alternativas à experimentação animal, nomeadamente as Novas Abordagens Metodológicas (NAM) para os testes regulamentares, a adoção de uma abordagem complementar que combine métodos animais e não animais proporcionará uma melhor compreensão tanto na investigação fundamental e translacional. Consulte o artigo da EARA sobre as NAM.
Porque é que os cientistas pensam que a experimentação animal é vital
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“Embora a ciência com vista a alternativas (não animais) esteja sem dúvida a progredir, não é possível prever quando estarão disponíveis métodos cientificamente válidos que possam substituir determinados procedimentos em animais.” – Comissão Europeia 2022
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“Neste momento, tudo indica que os PNH (macacos) continuarão a desempenhar um papel crucial no desenvolvimento de melhores cuidados médicos para os doentes, tal como fizeram no passado em neurociências e em numerosos outros domínios da medicina.” - Neurocientistas de renome mundial em Current Research in Neurobiology 2022.
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“Na ausência de métodos cientificamente válidos que possam substituir determinados procedimentos em animais, a eliminação progressiva da utilização de animais na investigação médica teria consequências significativas e um forte impacto na procura de uma melhor qualidade de vida para os muitos cidadãos afectados por doenças cerebrais, neurológicas e mentais”. - European Brain Council 2023
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A investigação com animais tem desempenhado um papel vital em quase todos os avanços na medicina da última década. A página EARA News apresenta todas as semanas exemplos de avanços na investigação biomédica com recurso a animais.
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Graças à experimentação animal, as taxas de sobrevivência ao cancro têm continuado a aumentar (ver abaixo) e continuamos a assistir a uma evolução promissora para muitos outros tipos de cancro. Leia o artigo da EARA Porque são os animais utilizados na investigação do cancro?
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A investigação em animais só pode ser realizada na Europa quando não existe uma alternativa adequada que não recorra ao uso de animais, tal como está estabelecido na Diretiva 2010/63/UE relativa à proteção dos animais utilizados para fins científicos, que é igualmente seguida em países não pertencentes à UE, como a Suíça e o Reino Unido. Consulte a secção do EARA sobre os regulamentos da UE relativos à experimentação em animais.

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“Poucos dias depois de recebermos os dados de segurança provenientes dos ensaios em animais, estávamos a colocar a vacina nos braços dos nossos primeiros voluntários.” - Dame Sarah Gilbert, do Oxford Vaccine Group, responsável pelo desenvolvimento da vacina Oxford-AstraZeneca contra a Covid-19.
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“Se há uma história de sucesso na saga da Covid-19, é na área da ciência básica, translacional e clínica - o "bucket" científico. O facto de uma vacina segura e altamente eficaz ter chegado aos braços das pessoas - o que salvou milhões de vidas - 11 meses depois da sequência do vírus ter sido conhecida não tem precedentes. Este feito foi o resultado, em grande parte, de décadas de investimento em investigação fundamental...” - Anthony Fauci, antigo diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA.
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“A experimentação animal pré-clínica é um passo essencial no desenvolvimento de vacinas, tanto em termos de segurança como de eficácia. Não é possível levar um novo fármaco experimental ou uma nova vacina para testes em humanos sem primeiro efetuar testes de segurança em animais.” - Helen McShane, Instituto Jenner, Universidade de Oxford, Reino Unido.

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“Os primatas não humanos (macacos) desempenham um papel pequeno mas essencial na investigação biomédica fundamental e aplicada. A maioria dos primatas não humanos é utilizada para o desenvolvimento e ensaio de novos medicamentos e vacinas. O atual surto de Ébola demonstra a importância de tais investigações e testes para salvar vidas” - Stefan Treue, Centro Alemão de Primatas em Göttingen, Alemanha.

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“A utilização de animais na investigação contribuiu para muitos avanços médicos que atualmente salvam e melhoram a vida de milhões de pessoas. As instituições de solidariedade social não tomam a decisão de apoiar esta investigação de ânimo leve. Mas há questões importantes, particularmente na investigação científica, que atualmente só podem ser respondidas através da experimentação animal”. - Nicola Perrin, diretora executiva da Association of Medical Research Charities.


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“Sem experimentação animal, a medicina pára. Pensemos no transplante de órgãos. Sem a experimentação animal nada teria sido possível."- Giuseppe Remuzzi, Diretor do Instituto Mario Negri de Investigação Farmacológica, Milão, Itália.
Para outras informações úteis
Gircor - Recherch Animale (França)
Stichting Informatie Dierproeven (a Holanda)
Tierversuche Verstehen (Alemanha)
Understanding Animal Research (Reino Unido)